Como garantir que a comunidade tenha maior acesso à informação e ao serviço de aborto seguro nas unidades sanitárias?

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Episódio 2: Revitalização da Rede DSR em Tete para a defesa e Promoção dos Direitos Sexuais e Reprodutivos na Província de Tete.

Participantes do workshop de revitalização da Rede dos Direitos Sexuais e Reprodutivos na Província de Tete destacam algumas acções e instam ao sector da saúde para que seja mais proactivo, para que o trabalho realizado na comunidade pelas organizações surta efeitos desejados na redução dos abortos clandestinos, e sobretudo, para a mudança de atitudes e de comportamentos.

Clique aqui para ver o primeiro episódio: É PRECISO FAZER MAIS EM PROL DOS DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS DA MULHER EM MOÇAMBIQUE: A Rede DSR está a fazer o seu papel.

Nesta sequência, trazemos depoimentos da COALIZÃO, AMODEFA, NAFET  – Instituições membros da Rede DSR em Tete, e que tem programas de Saúde Sexual e Reprodutiva na província de Tete, à margem desta reflexão, que decorreu de 15-17 de maio, em Tete, sobre os direitos sexuais e reprodutivos em Moçambique, com particular destaque para a província.

E a pergunta que se coloca é: Como tornar o serviço de Aborto seguro acessível para as mulheres e raparigas?

Workshop de Revitalização da Rede DSR em Tete
  • Vicente Albino Foia – Coordenador Provincial da Coalizão em Tete e membro da Rede DSR em Tete diz que:

    Vicente Albino Foia – Coordenador Provincial da Coalizão em Tete e membro da Rede DSR em Tete

Não devemos só consciencializar a comunidade sobre o perigo dos abortos inseguros, mas também temos de influenciar os provedores de saúde, desde o pessoal de limpeza às enfermeiras e a classe dos médicos. Não adianta garantir que a informação chegue nas comunidades sobre a despenalização do aborto enquanto ainda há barreiras de acesso nas unidades sanitárias, no caso a corrupção, porque no final dia vai ser esforço zero se só olharmos para a comunidade – o serviço é gratuito e a lei é clara quanto a isso.

  • JOANA GEMO – Membro da Rede através da AMODEFA.
JOANA GEMO, a terceira no meio – Membro da Rede através da AMODEFA.

Foram três dias produtivos, e sentimos que foi revitalizada a Rede na província de Tete olhando para os conteúdos que foram tratados, e um deles é sobre o aborto – que é uma prática que tem sido negligenciada a todos os níveis, mas com prejuízos enormes para a saúde da mulher. Mesmo antes da despenalização do aborto esta prática já acontecia e hoje, depois deste ganho, muito pouco se faz para a sua divulgação. Por isso, agora, temos uma linha verde para poder avançar em defesa da saúde da mulher e é isto que estávamos a tratar neste workshop, dentro do pacote dos direitos sexuais e reprodutivos. Uma vez reativada a Rede, temos de avançar, porque a sociedade ainda olha o aborto como um tabu, e nós vamos em conjunto, enquanto Rede, lutar para desmistificar este assunto, falando dele e mostrando os resultados para servir de exemplo.

  • Verónica Maria da Conceição Nguenha – Coordenadora da NAFET.
Verónica Maria da Conceição Nguenha – Coordenadora da NAFET

Falamos de um assunto muito importante que afecta directamente a vida das mulheres, e nós, muitas das vezes, nem gostamos de tocar no assunto – a questão dos abortos. Muitas delas preferem o aborto inseguro, por conta do desconhecimento ou mito ou estigma.

Devemos juntar forças, encontrar sinergias para continuar com a divulgação da acessibilidade deste serviço e suas vantagens e com isso, desmotivar por um lado as práticas clandestinas, mas por outro, reforçar os mecanismos de prevenção. Garantir que toda a mulher que fica grávida involuntariamente, ou é vítima de violações ou de uniões prematuras – tenha uma saída, uma solução segura para interromper a gravidez. Precisamos nos unir e atacar os grupos-alvos, porque as nossas acções visam reduzir a mortalidade materna das mulheres e raparigas.  Eu sinto que a REDE vai andar, e não deve perder o foco. Tem tudo para dar certo.

  • Aquila Leandro, Responsável de Planeamento Familiar na DPS Tete.
• Aquila Leandro, Responsável de Planeamento Familiar na DPS Tete

Há que preparar os profissionais de saúde, com pacotes de formação, o que já está a acontecer e deixar claro sobre a gratuitidade desde serviço. Assumimos esta responsabilidade porque só assim podemos erradicar esta teia de corrupção que possa existir, e garantir o acesso fácil ao serviço. Nós como sector de saúde vamos nos encarregar de garantir que este fluxo seja respeitado e com base em reuniões comunitárias assegurar que as lideranças comunitárias estão informadas, tem acesso a informação. Contudo, deparamos com outro desafio que se prende com a expansão deste serviço de aborto seguro para mais unidades sanitárias ao nível da província em particular e no país no geral. (*)

As nossas fontes, são de opinião que, para que haja resultados a todos os níveis quanto à acessibilidade dos serviços de aborto seguro, é importante que as organizações trabalhem em conjunto, e unam esforços para capitalizar os recursos existentes, mas, sobretudo, para o resultado ao nível do beneficiário. Igualmente, foi tónica dominante, ao responder à pergunta de partida que, todas estas acções para a redução dos abortos inseguros na província só vai surtir os efeitos desejados se, e quando o sector de saúde fizer a parte que lhe cabe, assegurando a oferta destes serviços sem barreiras .

Participaram do workshop em Tete as seguintes organizações: AMODEFA, ICRHM, PATHFINDER, COALIZAÇÃO, APARMO, LAMBDA, AMOG e novas organizações admitidas, FAA, NAFET, com presença da DPS e SPS.

Fique connosco, voltamos com o terceiro e último episódio, que relata a experiência de implementação deste programa de aborto seguro no distrito de Mágoè, ouvindo das enfermeiras, os desafios mas também os resultados já alcançados. Contaremos também, a versão dos activistas, no garante do acesso à informação correcta sobre o aborto, direitos sexuais e reprodutivos. Voltamos daqui a dois dias.

Fot Familia dos membros da Rede DSR Tete

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