O ICRH-M procedeu na última sexta-feira, 16 de junho, em Maputo, a divulgação dos resultados do estudo intitulado “Envolvimento masculino durante a gravidez e parto na província de Maputo: Um estudo de intervenção”.
Perante Académicos, Pesquisadores, Ministério da Saúde, Direção Provincial de Saúde de Maputo e outras partes interessadas, a equipa de pesquisadores do ICRH-M partilhou os principais achados deste estudo que decorreu no distrito de Marracuene, com intervenção nos centros de Saúde de Marracuene sede e CS de Ricatla na província de Maputo.

O referido estudo-piloto teve como objectivo testar um pacote para melhorar o envolvimento masculino nos cuidados maternos, além de examinar as barreiras e facilitadores para o envolvimento masculino nesses cuidados. Ademais, nos cuidados pré-natais e durante o parto, uma vez que, em 2017, com base em uma análise de situação sobre o tema no distrito de Marracuene, ter sido detectado que há fraqueza de estratégia e coerência para estimular o envolvimento masculino nos programas de saúde materna em Moçambique.
Nestes termos, para responder a esta lacuna, o presente estudo adotou duas metodologias: a) abordagem ao nível da comunidade, onde durante 5 meses pelo menos 9 comunidades foram mobilizadas e acções de sensibilização para homens e mulheres sobre género; b) nível da unidade sanitária, com a introdução de Consultas Pré-natais para casais em dias e momentos fixos e a melhoria das condições para acolhimento do parceiro. Qualitativamente o estudo chegou a conclusão que:
- Consultas de casal podem conduzir para a mudanças de atitudes, (II) As normas da comunidade impedem a participação do homem na CPN e nas tarefas domésticas, (III) As normas da comunidade impedem as mulheres grávidas de trabalhar e ou estudar, (IV) vislumbra-se um futuro positivo para as novas gerações.
Embora, quantitativamente, a intervenção não tenha demonstrado o aumento da presença masculina nas CPN e parto dado ao tempo de implementação que foi curto, só três meses, os dados qualitativos, conseguidos pela metodologia de “Photovoice” com casais, e sessões de discussão participativa e entrevistas em profundidade, demonstra neste estudo-piloto a aceitabilidade da intervenção tanto nas mulheres e homens, assim como pelos provedores.

Intervindo na ocasião, a Directora Nacional do ICRH-M, Málica de Melo, disse ter ficado provado que a questão de envolvimento masculino nos serviços de saúde, melhora indicadores de saúde, mas também, e sobretudo, a comunicação entre casais e em parte contribui para evolução das normas socias em torno do género, “que neste estudo vimos ser uma barreira para o progresso”.

Por seu turno, Vânia Bendzane, em representação do Ministério de Saúde, disse estar satisfeita com este estudo, que uma vez mais veio trazer evidências da importância do envolvimento masculino, até porque, “nós temos produzido muita informação ao nível do departamento de saúde materna neonatal e infantil, desde a componente de consulta pré-natal, maternidade e um dos desafios que nos foi imposto é mesmo esta de ter estudos.

Porque o envolvimento masculino durante a gravidez é algo que deve ser considerado importante, mesmo para melhorar a saúde materna, Felisbela Gaspar, Assessora de Género do Ministro da Saúde, também presente no encontrou lembro que existem, ao nível do MISAU, 25 indicadores orientados para área de género e infraestruturas, onde as questões de masculidade estão inclusas e merecem atenção muito especial, vai dai que já aponta algumas acções, “é preciso olhar para este homem não simplesmente como acompanhante, mas alguém que igualmente pode beneficiar-se de algum serviço, que haja todas as condições para que seja recebido e seguido. Percebemos e compreendemos que o trabalho não è só da Unidade Sanitária se queremos ter resposta efectiva, mas, sim um trabalho multidisciplinar e intersectorial”, disse.

Os resultados e recomendações deste estudo possuem um potencial significativo para serem amplamente utilizados, tanto pelas comunidades onde o estudo foi realizado, como por outras organizações e formuladores de políticas e programas voltados para o envolvimento masculino na saúde materna. Os achados podem contribuir de maneira significativa para melhorar as estratégias existentes e informar o desenvolvimento de intervenções adaptadas e alinhadas ao contexto local.


